16/09/2010

O único amigo

Era uma vez uma menina que tinha um amigo. Ela era tão feliz com esse amigo, que não queria mais nenhum outro amigo e também não queria que seu amigo tivesse nenhuma outra amiga.


Um dia ela foi ao parque colher flores, cantar e dançar. Ela estava com o seu único amigo, mas ele estava longe, também a colher flores, dançar e cantar.


De repente, apareceu um garoto muito bonito, alto, de olhos azuis brilhantes, cabelos loiros cacheados, que trouxe para a menina seis flores exóticas, de espécies que não havia ali no parque.


O garoto disse a ela que aquelas flores foram colhidas nas terras dele e, porque ele tinha gostado muito dela, quis presenteá-la. Ela agradeceu as flores e saiu correndo, porque pensou no seu único amigo e pensou que talvez ele não fosse ficar feliz por ela fazer um novo amigo. Ela escondeu as seis flores no bolso do seu vestido e não conseguiu mais cantar, nem dançar, nem colher novas flores, tamanha a sua preocupação.


Antes mesmo de encontrar o seu único amigo, pegou de novo as flores que tinha ganho, cheirou-as, apreciou-as e as jogou fora.


Quando o seu único amigo se aproximou, ela estava chorando e contou a história do presente para ele. Ele disse que ela não precisava ter um único amigo, e que nem ele precisava ter só ela como amiga, que eles podiam ter outros amigos, e que talvez aquele garoto de cabelos loiros pudesse ser amigo dos dois.


Já era tarde demais, porém. O garoto havia desaparecido. A menina continuava chorando, foi procurar as flores no jardim do parque, mas não as encontrou.


Algum tempo mais tarde, o seu único amigo precisou viajar com a família e nunca mais regressou.


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